Radar BRT Lounges · Edição 001
O semestre em que o benefício grátis morreu
Quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · preparado para Fernanda Faria Leite, CEO
Esta primeira edição é uma linha de base. Ela consolida o quadro completo do setor — notícias, os dossiês de Collinson e DragonPass, o mapa de oportunidades e as tendências. A partir de amanhã, você recebe somente o que for novo.
Três movimentos organizam tudo o que está abaixo: (1) os bancos brasileiros cortaram acesso cortesia em bloco no primeiro semestre, jogando milhares de passageiros para a demanda paga; (2) marcas financeiras e não-financeiras querem lounge próprio mas não querem operar — procuram operadora; (3) o comprador de acesso saiu do cartão de crédito e apareceu em seguradora, shopping e TMC.
01 Oportunidades comerciais · América do Sul e Caribe
Sinais acionáveis de abertura: licitações, concessões, terminais novos e praças subatendidas. Maturidade indicada em cada item.
🇧🇷 Congonhas (CGH): Aena prepara "a maior concorrência comercial da história aeroportuária brasileira"
A área comercial de Congonhas salta de ~9.000 m² para ~20.000 m², e as categorias licitadas incluem nominalmente "salas VIP". Santiago Yus, presidente da Aena Brasil, quer elevar a receita comercial de 35% para 40–45% do total. Pacote de R$ 2,4 bi.
Cronograma divulgado: disputa em 2026, contratos e projetos em 2027, obras privadas no 2º semestre de 2027, operação até junho de 2028, com a abertura do novo terminal.
Por que importaÉ a única oportunidade da região em que "sala VIP" aparece nomeada como categoria licitada, dentro do maior mercado doméstico premium do país. Número do edital e prazo de propostas ainda não foram publicados — a via mais rápida é a diretoria comercial da Aena Brasil.
🇧🇷 Campo Grande (CGR), Corumbá (CMG) e Ponta Porã (PMG): Aena declarou processo competitivo para operadores de sala VIP
Pacote de R$ 600 milhões nos três terminais, com ~R$ 300 mi só em Campo Grande (três fingers). A concessionária declarou um processo competitivo de 12 meses "até julho de 2026" para selecionar operadores de salas VIP. Campo Grande tem hoje uma única sala, operada por terceiro. Corumbá e Ponta Porã seguem sem sala VIP independente.
Por que importaO prazo declarado já venceu — vale descobrir se a seleção foi concluída, adiada ou se haverá segunda chamada. Se ainda estiver aberta, é a oportunidade de menor concorrência da lista. Mesmo interlocutor de Congonhas.
🇩🇴 Santo Domingo — Las Américas (SDQ): terminal novo de US$ 350 mi da Vinci, com plano comercial ainda em branco
Aerodom/VINCI Airports constrói um terminal inteiramente novo e independente: mais de US$ 350 milhões, 4 milhões de passageiros/ano adicionais, prédio de três níveis. Em maio estava em fundações, com cinco frentes simultâneas. Conclusão prevista para o 2º semestre de 2028. A Aerodom anuncia em paralelo expansão de rotas internacionais.
Por que importaTerminal novo significa plano comercial em branco, e a janela de decisão sobre lounges é 2026–2027, antes da entrega. É o melhor sinal do Caribe e a Vinci é o decisor único. Nenhum RFP comercial publicado até agora.
🇧🇷 Brasília (BSB) + 10 aeroportos regionais vão a leilão em dezembro
O edital de repactuação entrou em consulta pública em junho de 2026 e o leilão é esperado para dezembro de 2026. A vencedora assume Brasília mais 10 regionais. Já há resistência de mercado noticiada antes do edital.
Por que importaOs 10 regionais são o alvo real — quase nenhum tem lounge independente. A janela de abordagem é o pós-leilão, em 2027, quando o novo operador monta o plano comercial. A lista nominal dos 10 aeroportos ainda não foi confirmada.
🇦🇼 Aruba — Queen Beatrix (AUA): novo concourse do Gateway 2030 cria área comercial e remaneja concessões agora
A Fase 1B (iniciada em out/2024, ~24 meses) entrega ao longo de 2026 um novo concourse com três gates e "infraestrutura adicional para varejo e F&B". As lojas e restaurantes do lado direito pós-segurança fecharam a partir de 1º de maio de 2026 para a obra, com realocação em curso.
Por que importaHá espaço comercial novo sendo criado e concessões sendo redistribuídas neste momento — é a hora de propor. Ressalva importante: o comunicado não menciona lounges, então isso é uma janela inferida, não um edital.
🇪🇨 Guayaquil — novo aeroporto de Daular: licitação anunciada para 2026
A Prefeitura anunciou que a licitação será lançada em 2026 e aberta a qualquer operador — "ganhará o melhor em concorrência pública", segundo o prefeito Aquiles Alvarez. Fundo fiduciário com mais de US$ 352 milhões líquidos. Concessionária atual (TAGSA) e interessados internacionais na disputa.
Por que importaOportunidade de segunda camada: o caminho é abordar o vencedor da concessão, não a licitação em si. Os pliegos ainda não saíram e não se sabe se o pacote comercial será subconcedido.
🇦🇷 Ezeiza e Aeroparque: US$ 195 mi em obras e contrato estendido até 2038
Aeropuertos Argentina investe US$ 110 milhões em 2026 para ampliar Ezeiza, com obras na pista central entre outubro e novembro; Aeroparque tem plano de US$ 85 milhões. O contrato da concessionária foi oficialmente estendido até 2038.
Por que importaO horizonte de 2038 dá prazo longo a qualquer contrato comercial assinado agora — é o argumento para propor um contrato plurianual. Não há edital de sala VIP aberto; a ampliação é o gancho de conversa.
Praças já ocupadas ou fechadas — onde não gastar energia
Contexto
| Aeroporto | Situação |
| 🇨🇱 Santiago (SCL) | Licitação adjudicada à Plaza Premium. PrimeClass e Pacific Club fecharam em 30/06/2026; cinco salões temáticos abrem a partir de novembro. Fechado por anos. |
| 🇵🇪 Lima (LIM) | Airport Dimensions (Collinson) abriu o 2º "The Club" e prepara o 3º para outubro. ~US$ 22 mi investidos. A mesma reportagem indica que o grupo avalia expansão para Brasil, Colômbia, Chile, Panamá e México. |
| 🇺🇾 Montevidéu (MVD) | Carrasco já iniciou obras de nova sala VIP; incumbente Aeropuertos VIP Club também amplia. Só faz sentido via parceria. |
| 🇯🇲 Kingston (KIN) | Club Kingston foi eleito Priority Pass Lounge of the Year 2026. Incumbente forte. |
| 🇵🇦 Panamá (PTY) | Tocumen já tem The Lounge (Global Lounge Network) nos T1 e T2. |
| 🇧🇷 Guarulhos (GRU) | Adensamento forte: ADVT, Amex, Safra, GOL, LATAM em obras no T3B. Mercado disputado. |
Por que importaMontego Bay (MBJ) é a exceção útil do Caribe: mantém um canal formal de Business Development para propostas comerciais, sem licitação pública — porta de entrada direta.
O que não foi confirmado nesta seção
- Nenhum número de edital, protocolo ou data de entrega de propostas foi confirmado documentalmente para as oportunidades brasileiras — as fontes são jornalísticas, não os portais de compras das concessionárias.
- Paraguai (ASU): nenhum chamamento da DINAC em 2026. O interesse da Corporación América é notícia de 2024.
- Colômbia: El Dorado Max e Bayunca atrasaram para serem licitados, sem datas.
- Barbados e Trinidad: nenhum processo aberto em 2026 localizado.
- Contratos de lounge com vencimento próximo e ainda em aberto: nenhum localizado na região.
02 Notícias do setor · mundo
Últimos 10 dias. Oito itens verificados — vários resultados promissores foram descartados por estarem fora da janela.
Revolut vai construir rede própria de lounges com a Plaza Premium como sócia operadora e investidora
A fintech (75+ milhões de clientes) fechou parceria com a Plaza Premium para desenvolver e operar lounges de marca própria "Revolut Lounge". A Plaza Premium entra como parceira operacional e de investimento; a Revolut cuida de marca e experiência. O primeiro abre em Copenhague em 2027, anunciado como o maior lounge de uso comum da área Schengen.
Por que importaConsolida o modelo "marca financeira + operadora especializada" como o caminho de menor risco para bancos e fintechs. É exatamente a posição que a BRT pode vender para Nubank, XP, C6 ou uma bandeira no Brasil — e a resposta comercial à verticalização do Inter.
Memphis aprova Escape Lounge de US$ 2,9 mi: contrato de 12 anos, 8–11% da receita bruta ao aeroporto
Primeiro lounge multi-companhia do aeroporto, operado pela britânica CAVU Experiences. Começa com ~297 m², podendo chegar a ~455 m² se metas de uso forem atingidas. O aeroporto fica com 8% da receita bruta, subindo a 11% acima de US$ 4 mi/ano. Entrada a US$ 45 (US$ 60 walk-up), com F&B obrigatoriamente de produtores locais.
Por que importaÉ um benchmark público e raro da economia de uma concessão de sala VIP — percentual de outorga, gatilho contratual de expansão e ticket. Serve para calibrar proposta em Congonhas e no MS.
Assist Card passa a dar acesso às salas AMBAAR em Confins — primeira seguradora de viagem do Brasil a fazer isso
Clientes dos planos 250, 500 e 1 Milhão ganham acesso a três salas AMBAAR em BH — duas no doméstico e uma no internacional. Minas é o 2º estado em apólices de seguro viagem, com 400 mil bilhetes/ano e alta de 20% entre janeiro e julho de 2026. A AMBAAR opera 20 salas (14 no Brasil, mais Lima, Lisboa e Paris).
Por que importaUm concorrente acabou de abrir um canal B2B novo no seu aeroporto, com uma categoria de comprador que independe de banco emissor. A Assist Card já compra acesso em 6 aeroportos brasileiros, e o W Premium ocupa 5 deles — mas Confins acabou de ir para a AMBAAR.
Multiplan é a primeira rede de shoppings do Brasil a vender acesso a sala VIP sem cartão de crédito
O programa Multi passou a oferecer acesso LoungeKey via QR code no próprio app: clientes Platinum ganham dois acessos por semestre e podem resgatar mais com pontos; Gold resgatam com pontos. Os passes podem ser gerados para terceiros. Quem opera o LoungeKey globalmente é a Collinson.
Por que importaConfirma que o comprador de acesso migrou do emissor de cartão para qualquer programa de fidelidade com base grande — varejo, shopping, telecom. A Collinson chegou primeiro nesse canal; vender direto a esses programas, sem intermediário, é território aberto.
Harmony Lounge inaugura no Santos Dumont com posicionamento "escritório no aeroporto"
Nova sala no saguão de embarque do SDU, das 5h às 22h, com sala de reunião para 6 pessoas, cabines de videoconferência e estações de coworking com tomadas individuais e Wi-Fi dedicado. Acesso por Visa Airport Companion ou pagamento avulso.
Por que importaConcorrente plantando bandeira no eixo Rio–SP com diferenciação por produtividade em vez de buffet — o mesmo vetor que a Onfly explorou em Confins. Dois movimentos independentes na mesma direção não são coincidência.
JetBlue abre lounge de 12.000 pés² em Boston e cobra US$ 59–79 de quem não é elite
O segundo BlueHouse da companhia, com 204 lugares, é maior que o de Nova York. Gratuito para Mint (exceto a nova tarifa Mint Basic), Mosaic 4 e portadores do cartão Premier; os demais elegíveis pagam passe avulso. Fort Lauderdale está em estudo.
Por que importaAté lounge de companhia aérea hoje monetiza entrada avulsa em faixa premium. Junto com Memphis (US$ 45–60), firma a banda internacional de walk-in em US$ 45–79.
American amplia o Flagship Dining para a Classe Executiva a partir de 15 de setembro
O serviço à la carte, antes exclusivo do Flagship First, passa a atender Flagship Business Plus e Business em rotas internacionais longas, transcontinentais e Havaí, em DFW e MIA, com lista de espera eletrônica. Volta ao LAX no fim de 2026.
Por que importaServiço à la carte com mesa e lista de espera virou o novo teto de diferenciação premium — e é vendável como upsell dentro de uma sala independente, sem obra.
Air France desativa a sauna do lounge do Terminal 2E em Paris-CDG
Circularam relatos de comportamento inadequado de passageiros, o que a companhia nega, atribuindo a decisão a outros motivos. O caso repercutiu em blogs de viagem ao longo da semana.
Por que importaLembrete barato de que amenidade de alto custo e alto risco reputacional — sauna, spa, dormitório — precisa de política de uso e supervisão definidas antes de entrar no projeto, não depois.
03 Dossiê permanente · Collinson e DragonPass
Mapeamento de base. Nas próximas edições, só movimentos novos. Nota: o nome correto é Collinson (The Collinson Group Limited, Londres).
Collinson Group
Priority Pass · LoungeKey · Airport Dimensions
- Empresa privada e familiar, presidida pelo fundador Colin Robert Evans. Sem PE de controle nem capital aberto.
- Receita FY25 (fechado em abr/2025): £1,798 bi, +17%. Lucro antes de impostos £72,6 mi. Margem operacional subjacente 4,4%. 2.000+ funcionários, 26 países.
- Rede: 1.900+ experiências em 865 aeroportos pelo site institucional (os números variam por fonte: 1.700–1.900).
- Ponto crítico: a Airport Dimensions (marca "The Club", 58 lounges) não é concorrente do Priority Pass — é irmã dele. A Collinson é agregadora e operadora, verticalmente integrada. A DragonPass não é.
- Remuneração ao lounge parceiro: por visita realizada, com taxa típica estimada em ~US$ 35 pela imprensa especializada. Contratos são confidenciais — trate como estimativa.
- A arbitragem do modelo: o Priority Pass ganha quando o emissor paga taxa fixa e o titular não usa. Isso explica todo o aperto de 2025–26.
DragonPass
Motor branco de Visa e Mastercard
- Fundada em 2005, sede operacional em Guangzhou e entidade registrada na Inglaterra — estrutura dual que virou seu eixo de risco político. Tem escritório no Brasil.
- Recebeu US$ 20 mi do Trip.com Group e da Ocean Link.
- Números autorreportados: 40M+ clientes, 1.300–1.400+ lounges, 200+ bancos, 37 dos 50 maiores bancos do mundo. Nada disso é auditado — os "40M" quase certamente contam usuários alcançáveis via bancos parceiros, não membros ativos.
- Posicionamento explícito: infraestrutura atrás da marca de terceiros, não marca de consumo. O oposto do Priority Pass.
- O ponto que mais importa para a região: o app Visa Airport Companion é operado pela DragonPass, com versão específica LatAm. E o Mastercard Travel Pass é literalmente a DragonPass sob marca Mastercard. Em boa parte da América Latina e do Caribe, quem entrega o benefício das bandeiras premium é ela.
- Fabio Lacerda é o head de Business Development para a América Latina.
Os movimentos que mudaram o tabuleiro nos últimos 12 meses
Leitura estratégica
| Movimento | O que aconteceu |
Chase sai do Priority Pass ago/2026 | Desde 15/08/2026 as Chase Sapphire Lounges saíram das redes Priority Pass e LoungeKey. Titulares Chase mantêm acesso ilimitado, e a janela de conexão subiu de 3 para 5 horas. É o sintoma central da tese do "estouro da bolha": emissores que construíram lounge próprio deixam de subsidiar o agregador. |
Plaza Premium volta à rede Collinson jan/2026 | Priority Pass e LoungeKey voltaram a aceitar lounges Plaza Premium. No Brasil isso se materializou no Rio Galeão, com a Plaza Premium ampliando assentos em dezembro para antecipar a demanda. |
| Plaza Premium + DragonPass | Anunciaram parceria para a "maior rede de hospitalidade aeroportuária do mundo", 1.700+ lounges combinados. Ou seja: a Plaza Premium é fornecedora dos dois agregadores e sócia estratégica de um deles — negocia em ambas as frentes. |
Adani rompe com a DragonPass mai/2025 | A Adani Airport Holdings encerrou a parceria por preocupações de segurança nacional, no contexto do escrutínio indiano sobre empresas chinesas em aviação e acesso a dados de passageiros. A DragonPass perdeu Mumbai, Ahmedabad, Delhi e outros. |
DragonPass + Gennius XYZ out/2025 | Permite que bancos convertam pontos de fidelidade em benefícios de aeroporto em 100+ aeroportos, nativamente dentro do app do banco, sem app de terceiro. A base da Gennius vai da América Latina ao Oriente Médio. |
Collinson no Brasil 2025 | Fechou 2025 com 103 espaços em 45 aeroportos (de 81 em 38), sendo 77 salas VIP. "O Brasil é um mercado prioritário para nós", disse Jeremy Dalkoff, VP de Parcerias. Diversificou para categorias Unwind (gaming em Viracopos) e Refresh (bem-estar, de 4 para 10 locais). Pre-Book em 44 locais, +42%. |
A leituraA origem chinesa é um risco geopolítico latente e recorrente da DragonPass em qualquer mercado onde dados de passageiro sejam tratados como sensíveis — vale monitorar isso nos contratos dela com bancos e operadores brasileiros. E na América Latina a divisão é limpa: a Collinson tem a marca e os ativos; a DragonPass tem o canal das bandeiras.
Lacunas do dossiê
- Taxas por visita pagas pela DragonPass aos lounges: não há fonte pública alguma. É a lacuna mais significativa — e a informação mais valiosa numa renegociação.
- Quem é o CEO da DragonPass hoje: fontes citam Mark Ian Koch e Jane Zhu sem reconciliação.
- Número de membros ativos do Priority Pass: não divulgado.
- Breakdown regional de receita para LatAm/Caribe: nenhuma das duas publica.
- Parceria C6 Bank × DragonPass: a página de referência retornou erro 403, não confirmada.
04 Fidelidade, cartões e benefícios corporativos
O aperto do primeiro semestre brasileiro, e os canais de compra institucional que estão surgindo.
Santander multiplicou por cinco o gasto mínimo para sala VIP — de R$ 3 mil para R$ 15–30 mil por trimestre
Unique R$ 15 mil, Unlimited R$ 30 mil, AAdvantage Black R$ 15 mil (só LoungeKey), GOL Smiles Visa Infinite R$ 15 mil (exclui lounges próprios da GOL). Os Amex do banco ficaram de fora. A régua anterior era R$ 3 mil. Justificativa oficial: "preservar a qualidade da experiência e a sustentabilidade do benefício".
Por que importaUm contingente grande de titulares Santander perdeu o acesso cortesia em julho e virou demanda pay-per-use. É a janela mais óbvia de captura de receita avulsa dos próximos seis meses — e ela está aberta agora.
A onda inteira: Mastercard/C6, Bradesco, Porto, BB e BRB apertaram no mesmo semestre
Mastercard Black em GRU: desde 01/04/2026 exige R$ 15 mil em três meses — sem isso, R$ 200 por pessoa. O C6 encerrou o acesso ao LATAM VIP Lounge via DragonPass para Carbon e Graphene. Bradesco Aeternum encerrou o LoungeKey gratuito. Porto Bank caiu de 10 para 6 acessos cortesia. BRB Dux: anuidade de R$ 1.680 → R$ 4.800. BB Altus: R$ 1.800 → R$ 4.000. Nubank restringiu acompanhante de adicionais.
Por que importaA Mastercard institucionalizou R$ 200/pax como referência pública de balcão no Brasil — âncora útil para tabelar walk-in. E o modelo B2B2C com emissores está migrando de all-you-can-eat para cobrança por acesso, o que favorece quem tem contrato de repasse por visita em vez de fee fixo.
Itaú é o emissor que preservou o benefício — e o Nubank está expandindo na contramão
O Itaú subiu anuidades de LATAM Pass e Azul em até ~7% a partir de 15/06/2026, mas manteve intactos o acúmulo de pontos, o acesso a salas VIP e as regras de isenção. O Nubank Ultravioleta segue com Priority Pass (1.700+ salas), ainda que tenha restringido acompanhantes de adicionais.
Por que importaEnquanto os concorrentes cortam, o volume do Itaú tende a crescer relativamente — é o parceiro-alvo prioritário para um contrato de capacidade garantida. A informação do Nubank vem de blog de nicho e merece confirmação em material oficial antes de virar argumento de venda.
Onfly: R$ 940 mi de GMV no semestre, 2.500 empresas — e um espaço próprio em Confins
No 1S/2026 a Onfly movimentou R$ 940 milhões (+63%), chegou a 2.500 empresas ativas (+50%) e captou R$ 240 milhões para expandir na América Latina. E investiu R$ 2 milhões num hub de 120 m² no BH Airport — gratuito e aberto a qualquer passageiro, explicitamente não posicionado como sala VIP premium.
Por que importaDuas leituras, ambas suas. Ameaça: uma TMC brasileira preferiu construir espaço próprio a comprar acessos — no seu aeroporto. Canal: 2.500 empresas com política de viagem centralizada é a distribuição B2B mais concentrada do país, e vender lounge como ancillary dentro do fluxo de reserva é mais eficiente do que vender empresa a empresa.
Seguro-viagem já é comprador institucional de acesso: a Assist Card compra em 6 aeroportos
Sala VIP cortesia nos planos 250 e 1 Million em Belém, Fortaleza, Guarulhos, Porto Alegre, Recife e Rio. Três parceiros operam: W Premium Group (5 dos 6), Plaza Premium (RIO) e Nomad Lounge (alternativa em GRU). Limite de 3 horas, só voos de partida, voucher + cartão de embarque.
Por que importaVolume previsível com SLA simples — e o W Premium já ocupou cinco das seis praças desse contrato. Vale mapear as demais seguradoras (Coris, Universal, GTA, April) antes que ele feche essas também.
Categorias investigadas sem resultado
- Livelo, Esfera, TudoAzul, LATAM Pass, Amex Brasil, XP: nenhuma mudança de regra de sala VIP encontrada nos últimos 3 meses.
- Operadoras de saúde e telecom oferecendo sala VIP como benefício: nenhum caso brasileiro encontrado. Trate como hipótese não validada, não como tendência.
- Navan e Amex GBT: nenhum anúncio recente de criação ou ampliação de benefício de lounge.
- Smiles lançou a categoria Magno acima do Diamante (mar/2026), mas nenhum benefício de sala VIP explicitamente atrelado a ela foi confirmado.
05 Tendências do setor
O BTG provou no Brasil que pay-per-use vira assinatura na terceira visita
O terminal privativo do BTG em Guarulhos ampliou de 14 para 20 passageiros/hora no embarque. Preços: US$ 350 doméstico e US$ 590 internacional no avulso; planos de US$ 2.000 a US$ 10.000 para 3 a 20 acessos; e um tier ilimitado com cota restrita e lista de espera. O CEO observou que "na terceira utilização, em média, o viajante ocasional opta por adquirir um dos planos" — e os planos não existiam no lançamento, foram criados depois de observar a recorrência. Chef Alberto Landgraf (estrela Michelin) desde junho. 30–40% dos clientes vêm de fora de São Paulo — Mato Grosso, Campo Grande, Balneário Camboriú.
Por que importaDuas coisas de uma vez. Primeiro: desenhe o funil para capturar o walk-in e migrá-lo para plano na terceira visita — isso é replicável em qualquer faixa de preço, não só no ultra-premium. Segundo: 30–40% de clientes de origem interiorana confirma demanda premium fora do eixo Rio–SP, o que sustenta a tese do Mato Grosso do Sul na seção 01.
O Inter já tem quatro lounges próprios — e um deles é seu
A quarta sala do Inter, em Fortaleza: 260 m², 60 passageiros, das 6h às 22h, culinária cearense, chuveiros e área infantil. Junta-se a Guarulhos, Confins e Curitiba. Grátis e ilimitado para Inter Prime e Win; os demais resgatam com pontos do Inter Loop.
Por que importaA imprensa lê isso como banco verticalizando contra os operadores. Para a BRT é o contrário: o lado ar de Confins é operação sua em parceria com o Inter, então crescimento da rede e da base Prime/Win do banco é receita sua. Some isso à Revolut da seção 02 — que escolheu marca própria com operadora especializada — e você tem a tese de venda pronta, com caso comprovado, para levar a Nubank, XP, C6 ou uma bandeira.
A área pública é o campo aberto — e a BRT já provou isso
A Sala Terra no BH Airport — 300 m², até 85 passageiros, em frente ao raio-X central — opera com DragonPass, agências parceiras e pagamento por hora, limitado a 3 horas. Enquanto isso, o W Premium inaugurou em Congonhas em 17/06/2026 sob administração da Aena, e a VINCI constrói nova sala em Salvador com projeto de sense of place baiano.
Por que importaA área pública não depende de slot pós-segurança, atende acompanhante e conexão terrestre, e o modelo por hora valida a disposição a pagar fora do embarque. Com Porto Seguro, Sinop, Cuiabá, Viracopos e os dois lados de Confins, a BRT tem a base de dados que ninguém mais tem sobre disposição a pagar fora do eixo Rio–SP — e a leitura do BTG logo acima (30–40% de clientes vindos de Mato Grosso e do interior) confirma que essa é a demanda mal atendida do país.
O checklist mínimo de competitividade, segundo o mercado global
David Collyer, SVP Global da Aspire Executive Lounges, aponta quatro vetores: (1) tiering — três níveis, do core ao luxo com serviço à la carte; (2) design orientado a dados — fim do open-plan, substituído por zonas especializadas (trabalho com isolamento acústico, relaxamento, academia, área infantil) com analytics de densidade em tempo real; (3) F&B de bem-estar — saída dos buffets pesados para pratos leves e ingredientes locais; (4) tecnologia — pré-reserva, filas virtuais, monitoramento de ocupação.
Por que importaTiering + pré-reserva + capacity management + F&B regional é o checklist mínimo. A identidade regional brasileira é o item mais barato dessa lista e o mais difícil de copiar — e é o que a VINCI está fazendo em Salvador e o Inter em Fortaleza. (O artigo cita uma projeção de mercado que conflita com as casas de pesquisa; ignore o número.)
A economia do repasse por visita está apertada até dentro do próprio grupo Collinson
Desde 01/07/2026 os lounges "The Club" passaram a cobrar pelo chuveiro em CLT, DFW, LAS, PIT e SJC; os Virgin Atlantic Clubhouses cobram US$ 15 por uso. E o Plaza Premium do Terminal D em DFW saiu inteiramente da rede Priority Pass — tendo aberto apenas em 09/03/2026. Agrava o quadro o fato de "The Club" pertencer à própria Collinson.
Por que importaSe o repasse não fecha nem para o lounge da casa, ele não vai fechar para você. Ao negociar contrato de rede: exija piso de tarifa por visita e cláusula de reajuste, e não dependa de um único agregador. Um lounge saindo da rede cinco meses depois de abrir é o sinal mais claro disso.
Tamanho de mercado: duas casas, 60% de divergência
Research and Markets: US$ 16,9 bi em 2026 → US$ 25,2 bi em 2034, CAGR 5,1%. Mordor: US$ 10,53 bi em 2026 → US$ 13,95 bi em 2031, CAGR 5,78%. As duas divergem em ~60% na base, provavelmente por escopo. Nenhuma das duas dimensiona a América Latina — a região aparece apenas listada.
Por que importaNão leve nenhum dos dois números isolados a investidor ou negociação. O ponto convergente e defensável é o CAGR de 5–6% e o crescimento do pay-per-use. E a leitura prática: o mercado cresce de forma estável, não explosiva — o ganho no Brasil virá de capturar o share do benefício bancário que está sendo cortado, não da expansão orgânica do bolo.
Números que circulam mas não se sustentam
- Uma pesquisa citada em veículo de marketing afirma que 45% dos portadores Visa têm a escolha do cartão fortemente influenciada por sala VIP, 62% trocariam de emissor sem o benefício e 74% dos brasileiros o colocam entre os principais atrativos. O artigo não linka o estudo original da Visa. Indicativo, não verificado — busque a fonte primária antes de levar a investidor.
- Biometria em lounge na América Latina: nenhuma implantação concreta confirmada. Trate como tendência global não comprovada regionalmente.